segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

O espírito das coisas



Anyhaseo!
"O Liverpool era uma religião na casa onde cresci."
Steven Gerrard
Gerrard, é um daqueles jogadores que quase não existem. Formado no Liverpool ele atua até hoje pelo clube e não aceita ser vendido ou comprado por ninguém.  Ele treina e pratica futebol movido pelo amor a este time. Enquanto uns vêem futebol como uma forma de ganhar dinheiro ele simplesmente vê como uma casa, um modo de vida e algo pelo qual se desenvolver física e psicologicamente. Visando o crescimento de seu clube.
Ele têm o espírito do seu time e vive segundo essa premissa.
Conheci dois Mestres há pouco. Um teve oportunidade de se atualizar e o outro por estar em uma federação defasada ele não teve oportunidade de participar de tantos seminários e nem de ter cursos de atualização. De uma forma inesperada o segundo Mestre, possui um estilo de treinar, lutar e de etiqueta muito parecido com o primeiro.
Qual o motivo disto?
Os dois entenderam o espírito da sua arte. Eles a treinam sem limitações, nem de treino, nem de política e nem de sentimento. Eles treinam para serem melhores do que são hoje e para passarem sua arte adiante. Eles entenderam o espírito de sua arte.
A contrapartida hoje vemos pseudo-mestres, que acham que o ponto em que chegaram é o limite da perfeição. Eles falam de si como deuses e sempre põe defeito em uma academia ou estilo para justificar sua arrogância. Dizem que em nenhum lugar você conseguirá treinar como treina com eles. Se um aluno deseja fazer um seminário ou ir a uma outra academia ou até a um campeonato, eles o desencorajam. Falam que provavelmente sofrerão. Quer seja pela falta de “controle” de outros alunos de outras academias ou inventam outra desculpa. Chegam até a lembrar os navegantes do tempo de Colombo em que os marinheiros falavam sobre monstros do mar ou em cair pela beirada da terra (pois criam em que a terra era um planeta de forma chata ou quadrada). Nesta época os navegantes até diziam isto, pois não queriam que outros evoluíssem ou simplesmente por crenças da época.
Já citei aqui um faixa preta, que orientou um Senpai meu a treinar de forma a enganar o seu examinador em exames de federações. Uma pessoa que treina assim nunca compreenderá o que é o espírito de se treinar uma arte. Ela provavelmente trará vergonha a sua arte e academia se for desafiada por um de igual graduação de outra arte ou academia.
O pior é que existem pessoas que tem dans (grau acima da faixa preta) e ainda não sabem o espírito em que se deve treinar uma arte marcial. Ela acha que com um golpe mágico pode vencer qualquer um, mas vive um sonho de verão. Ela acha que um golpe que ela até domine pode salvar ela um dia em uma rua ou em uma luta.
O complicado é que se a pessoa chega num grau de Shodan, (1º grau da faixa preta) com um pensamento, assim ela têm uma mente cauterizada pelo orgulho (pois ela sabe muito da história e das terminologias da arte) e pela mentira (já que ela treina de forma fraca e se recusa a ser orientada por mais graduados pois julga-se saber de tudo de sua arte). Isso torna quase impossível o fato dela acordar desse “transe” e abrir os olhos.
Mas há pessoas que a gente somente tolera com esperança que elas mudem sua forma de pensar um dia.
Como diz o conto. “O sapo no fundo do poço não tem conhecimento do tamanho do oceano.
Oss
David Mendes
Este post inspirado por conversas com meu Senpai Ricardo Cavalcante

2 comentários:

  1. Ótimo post, David!
    Alguns "mestres" não entendem o verdadeiro motivo de ser mestres.
    Como dizia o lendário Bruce Lee, o mestre não é o detentor da verdade, é apenas um catalizador, que mostra o caminho. Depende do aluno encontrar as respostas.
    Abraço e continue o ótimo trabalho!

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  2. Sim o aluno deve pegar o "espírito da coisa". Arte Marcial é algo sério e assim como deve ser lecionada seriamente, deve ser aprendida seriamente.O aluno deve se dispor a superar seus limites. E não ir para aula pois tem amigos lá ou por ser uma forma de socializar-se. Se ele vê sua arte como isso ele perdeu seu foco

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